O rapaz da camisola vermelha {Pavlova com caramelo e morangos}

Quando era mais nova, mais ou menos a partir dos 10 anos, tinha um sonho recorrente. 

Era um sonho muito cansativo, muito exaustivo.

Passava-se sempre num dia de chuva e frio. Eu saía de casa a correr. Tinha de chegar a um local, nunca soube ao certo onde era, mas no sonho eu sabia que tinha de ir. E o coração pulava muito, muito ansiosa e preocupada. No sonho eu já era mais velha, já teria cerca de 20 e poucos anos. E durante todos os anos a fio que eu tive este sonho a idade mantinha-se. 

E eu corria, sem parar. Ía até à estação de comboios e o comboio já estava em andamento e eu tinha de entrar em andamento. Era horrível. A sensação de adrenalina que eu detesto, sensação de quase morte. E o comboio ía a grande velocidade. Mesmo dentro do comboio eu nunca parava de correr. Entrava na última carruagem e ía a correr até à primeira. Altura em que o comboio parava e eu saía a correr. E corria muito. Entretanto chegava a uma espécie de centro comercial. Aí começava a subir escadas, muitas escadas… sem parar. Subia, subia, subia. O fôlego estava no limite. O coração quase saía do peito… mas eu não parava. E quando, finalmente, estava a atingir o topo das escadas estava lá um rapaz, virado de costas, de camisola vermelha. Era por ele que eu corria. Era por ele que sofria toda esta ansiedade. E eu chegava lá e tocava-lhe no ombro. 
Quando ele se ía a virar….
… eu acordava!

Eu bem que tentava adormecer para ver quem ele era. Nunca soube.

Até te conhecer. 

Feliz dia dos namorados e casados. ❤
Para festejar o dia que está aí a chegar tinha de partilhar convosco esta minha história de amor. Que é real, verdadeira. Para a ilustrar nada melhor do que uma pavlova, assim partida, torta, cheia de defeitos, mas linda, com um aspecto delicioso, cheia de sabor e cromaticamente equilibrada. 
O nosso amor é assim, como esta pavlova. Cheio de defeitos, problemas, complicações, decisões difíceis, dias mais escuros. Mas lindo, tocante, apaixonante. Todos os pedaços fazem parte de nós. Não almejamos a perfeição. Pretendemos encaixarmo-nos na vida um do outro da forma mais harmoniosa e calma possível. Funcionamos [ou tentamos funcionar] como um par dançante de tango. Em que todos os passos que são dados são coordenados e previstos. Mas ao mesmo tempo precisamos destas quebras, destas imperfeições e da constante descoberta um do outro.
Soa a lamechas, e é mesmo para ser lamechas. No meu sentido das coisas, de me apaixonar pela perfeição da imperfeição, pelo belo do feio e pelo direito do torto. Obrigada, Miguel, por seres exactamente como és, mesmo com todos os teus defeitos. 
Pavlova com morangos e caramelo

(receita adaptada do livro The Meringue Girls)

Ingredientes:

Para o merengue:


3 claras (pesem as claras e dobrem a quantidade de açúcar, no meu caso pesavam 120g)
240g de açúcar

Preparação:

A partir do momento em comecei a ler acerca das Meringue Girls, nunca mais fiz merengues de outra forma. Elas têm um truque fabuloso o que faz com os merengues fiquem deliciosos e com uma textura única. O grande truque delas é colocar o açúcar no forno antes de o colocar no merengue. Ora vejam as indicações que eu deixo aqui.

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Num tabuleiro forrado a papel vegetal coloque o açúcar de forma uniforme e leve ao forno até caramelizar um pouco as bordas. Retire o açúcar e reduza a temperatura do forno para 100ºC e deixe a porta entreaberta para que o forno diminua a temperatura mais rapidamente.

Entretanto, enquanto o açúcar está no forno, coloque as claras na batedeira juntamente com uma pitada muito pequena de sal. Comece por bater em velocidade média até as claras ficarem cheias de bolinhas. Nesse momento aumente a velocidade até as claras ficarem bem firmes. (faça o teste, vire a taça para baixo, se elas não caírem estão no ponto). Com a batedeira em movimento médio/alto coloque o açúcar aos poucos e no final a essência de limão. Deixe envolver bem.

O merengue tem de ficar bem pegajoso e fazer picos.

Leve ao forno durante sensivelmente 1 hora.
Quando estiver firme por fora saberá que está no ponto. (Evite a todo o custo ir abrindo o forno, até há quem diga que nunca se deve abrir, mas para primeira vez não sabemos só de olhar se está ou não no ponto). Desligue o forno e deixe a pavlova arrefecer lá dentro. Só quando o forno estiver totalmente frio é que pode retirar a pavlova. (O ideal é fazer à noite, deixar durante a noite inteira e só retirar de manhã).

Para o topping coloquei caramelo, mel, morangos, pepitas de chocolate e hortelã.
O rapaz da camisola vermelha {Pavlova com caramelo e morangos} Comentários
  1. Um amor assim com tantas imperfeições, mas com tanta beleza, é certamente um amor indestrutível! Continuem a ser felizes, mesmo nos dias escuros, nos dias em que a vida vos chateia e vos atropela com problemas …. O Miguel é um rapaz cheio de sorte, e o vosso encontro não foi uma qualquer casualidade da vida… Acho que estava escrito nos sonhos… ou algures nas estrelas!
    Parabéns! ❤️

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