A excelência de uma água aromatizada

Um dia uma senhora, que se diz professora, disse-me: “Nunca serás excelente em nada, serás sempre medíocre.” 

Hoje quando penso nestas palavras, que tanto feriram, por tantos anos, hoje dão-me vontade de sorrir. Uma parte por pena da mulher [porque só alguém muito frustrado era capaz de dizer tamanha barbaridade a uma miúda de 14 anos], a outra parte, a mais importante, porque, incrivelmente, esta frase foi de tal forma marcante que me fez compreender a mim mesma.

Hoje consigo compreender que não quero ser excelente em nada, não quero ser a melhor em nada. Não pretendo ser a melhor mãe, a melhor esposa, a melhor professora, a melhor cozinheira, a melhor filha, a melhor neta, a melhor amiga, a melhor blogger, a melhor profissional… Enfim, não pretendo, de todo, a excelência em nada. Não ando em competição com ninguém e, muito menos, comigo própria. Confesso que demorou muito a conseguir chegar a esta conclusão. Não foi fácil, porque honestamente andei muitos anos angustiada com aquela certeza absoluta dentro da minha cabeça de que eu era “mediana”; “medíocre”, “fraca”. Ao longo de anos a fio sempre que surgia um percalço no caminho eu sentia-me uma fracassada e as palavras dessa “professora” ecoavam dentro da minha cabeça. 
Ela conseguiu que durante bastante tempo andasse desacreditada  em mim mesma. [Fala-se tanto de bullying entre pares, mas quantas vezes estes abusos não vêm de professores, pais e educadores!?] Mas também conseguiu que eu entendesse que aquilo que hoje considero maturidade é conhecer-me a mim própria e saber reconhecer onde sou boa, muito boa, onde sou má, ou para o que não tenho jeito nenhum (por exemplo, coser meias ou botões… sou uma nódoa!). Aceitar-me nas minhas valências é, ainda hoje, um processo complicado. As sombras do passado surgem com alguma frequência e a tentação de querer provar algo a alguém é enorme. É essa a tentação que luto para parar. Descontrair, aceitar, aceitar-me! Ai, aceitar-me é esse o exercício.
Este pensamento, agora que está redigido é um pensamento que levou anos a conseguir formulá-lo. É um sentimento transformado em palavras. São feridas que doem sempre que há um problema. São feridas que me custam a curar. Mas a chave da cura está em nós. E, por isso, resolvi partilhar este meu pensamento, estes meus sentimentos, porque pode haver alguém aí desse lado que precise de se aceitar, como é, com os seus defeitos e as suas virtudes. Se és essa pessoa, então a ti digo-te: descontrai, relaxa, porque não precisas de ser excelente, não precisas da aprovação de ninguém, TU ÉS BOM! 

Para brindar à aceitação, à permissão do erro, às dificuldades ultrapassadas nada melhor que uma água aromatizada. Uma água que nos ajuda a desintoxicar de todos os maus pensamentos e todos problemas.
Água aromatizada
Ingredientes:
3L água
1 limão
1 lima
3 paus de canela
1 pedaço de gengibre
Limonete q.b.
Hortelã q.b.
Preparação:
Encha o dispensador de água e coloque os ingredientes lá para dentro. Deixe repousar durante (idealmente) uma hora (mexendo de vez em quando) para que a água ganhe sabor.
Sirva-se à vontade, esta é daquelas receitas que pode beber quantas vezes quiser. Desintoxique-se com a água aromatizada 🙂
Nota: Todas as imagens devo à minha queridíssima Brígida Brito, que fez esta sessão linda. Obrigada minha linda. You rock, girl! 
A excelência de uma água aromatizada Comentários
  1. Realmente são coisas que nao se dizem… e incrivelmente também tive uma determinada senhora que me disse algo semelhante (mas mais como "nunca iras acabar o curso") na universidade (verdade seja que acabei sim, com distinção e prêmios de mérito, e sem chumbar um único ano, ou uma única cadeira!) mas enfim, são essas pessoas ue nos fazem querer ser ainda melhor, e superar a nós próprias!
    Essa água ficou fantástica! Adoro o reservatório de água… de onde é?

    Beijinhos,
    http://sudelicia.blogspot.pt/

  2. Olá!
    Fizeste bem em deitar cá para fora o que escreveste, pois realmente devem existir muitas pessoas que por esta ou aquela razão passaram por situação idêntica (eu também). Mas como diz o ditado o que não nos mata fortalece!
    Beijinho

  3. Gostei muito deste teu desabafo, Maria João. Também já tive um desabafo parecido no blogue. Além das pessoas que nos dizem essas "maravilhosas palavras", há cada vez mais uma pressão social enorme para o sucesso (ou será para a aparência dele?), quer acaba por nos deixar frustrados e isto é tanto pior quando essa pressão recai sobre adolescentes. Temos que reinvindicar as nossas limitações, é o conhecimento delas que nos permite avançar mais e melhor e que nos permitem estabelecer o quanto podemos ser felizes. Já agora e porque tem alguma relação com este tema.Tive uma professora de História, no secundário, que disse uma frase que me tem acompanhado desde então: "comparar é diminuir". É que muita da frustação que recai sobre nós passa por compararmos o nosso, e dos outros, in/sucesso com os dos que nos rodeiam. Nada mais errado. cada um de nós vale por si e não por comparação com os demais. Sim, Maria João, concordo plenamente contigo, não temos que ser excelentes. Somos bons porque nos conhecemos e sabemos por onde e até onde ir.
    Adorei essa água.
    Beijinhos

    1. Sem dúvida. A comparação é dos piores venenos da nossa mente e da nossa vida. Esse é o grande problema em maior parte das questões. A comparação entre colegas, entre ordenados, entre notas, entre filhos, entre educações, religiões, crenças… enfim.
      Grande frase dessa professora! Obrigada pela partilha, Carla.
      Um beijinho!

  4. São muito boas, não só pelo bem que fazem, mas também pelo seu sabor e muito bonitas em festas. Na ultima festa que fiz coloque várias com sabores diferentes e gostaram muito…obrigada pela sua partilha!

  5. Gostei muito da receita da água! Tenho que experimentar!
    Quanto à história… Acho que muitos de nós em alguma fase passou por uma pessoa dessas e que de alguma forma ficamos marcados… Cabe-nos encontrarmo-nos, aprender a relativizar e acima de tudo, aceitarmo-nos independentemente do que os outros possam pensar ou dizer ou fazer…

    Ps. Já passo por cá há algum tempo, mas só hoje comentei, o post tocou-me.

  6. Nem imagino o impacto que isso possa ter tido para ti, acho surreal que haja pessoas assim no ensino. Também tive uma pseudo-professora (proibida de dar aulas uns anos mais tarde) que, numa intervenção que tive para colocar uma dúvida na aula, me chamou de ignorante à frente da turma inteira – eu era aluna de 18 para cima. O resultado foi eu nunca mais ter colocado dúvida nenhuma e como consequência o meu desempenho diminui 🙁
    Felizmente crescemos e aprendemos que o errado não éramos nós. E tu minha queria Mª João, já conseguiste tanto mas tanto que essa senhora estava a léguas da verdade.
    Uma água ótima, refrescante e deliciosa esta 🙂
    Grande beijinho

  7. Bom dia Clavel,
    Não imaginas o que este texto me tocou. Não me vou alongar, pois o mais importante já tu escreveste e outras pessoas escreveram nos seus comentários.
    Apenas estou cada vez mais e de forma triste, a concluir o quanto o ser humano é mau e mesquinho e isso, para mim, que acredito (ava) que as pessoas ainda são (em geral) boas e a humanidade ainda tem salvação, é algo que me deixa deveras infeliz, mas enfim…
    Adoro águas aromatizadas e faço e bebo todos os dias com diferentes sabores e adorei esta combinação que utilizaste e adoro o reservatório, pois tenho um que comprei na Lakeland e adoro-o, pois é tão lindo e prático.
    As fotos estão lindas. Parabéns à fotógrafa!
    Beijinhos,
    Lia

  8. Boa tarde Mª João,

    Conheci o blog à pouco tempo e já o adoro!
    Não sou uma pessoa muito participativa, mas neste caso achei que devia dizer que a sua professora estava completamente errada! A Mª João é uma vencedora! Parabéns!
    Tudo de bom!
    Beijinhos.
    Cristina

  9. Olá Maria João!
    Adorei ler o teu texto e revi-me em tantos dos teus desabafos. Mas, ainda procuro o equilíbrio porque ainda me sinto medíocre "às vezes".
    A tua água aromatizada tem um aspecto fantástico e apetece mesmo beber!
    um beijinho

  10. gostei muito de ler este seu post. tive uma professora que me disse que eu era uma 'diarreia mental' e ri-me sempre com este comentário infeliz. Porém também estou numa fase, talvez pelos 40 anos, muito atenta ao que gosto e sei fazer, e no qual sou boa, e no que sou mediana, mediocre ou uma nódoa mesmo. Aceito que sou boa nisso, não aceito ainda muito bem no que sou péssima (como por exemplo já ter tentado fazer a sua Granola de canela e banana 4 vezes e ser completamente incompetente na cozinha e sair sempre queimado), mas a verdade é que me rio cada vez mais com o facto de não ser uma diarreia mental. Talvez achemos que temos de ser boas em tudo… obrigada pelo cheirinho de bolo acabo de fazer que trespassa do seu blog por via digital.

  11. Engraçado, já faço essa infusão ( muito parecida) há muito tempo. Também tenho uma história do género com um professor da faculdade, mas borrifei-me para o que ele me disse, ou talvez não… fiz a cadeira dele com uma excelente nota !!
    Ah, já agora, fui aluna da sua mãe na Maia ( foi minha diretora de turma ) e adorava-a. Bjss par as duas.

  12. Eu compreendo o que é sentir que somos mediucres ou abaixo disso mas infelizmente nao tive nem tenho ainda a força sff para por mim mesma me sentir mais do que aquilo que me forçaram a ver em mim mesma, ainda assim, adorei o testemunho axei de uma força maravilhosa, e amei as fotos, paraben s=D

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