{Clavel fora da cozinha e a melhor app do mundo}

Ontem, como praticamente todos os sábados, fui ao mercado de produtos biológicos do Parque da Cidade. Quando lá cheguei o sol estava quente. Eu que ía bem agasalhada, tive de tirar um dos casacos e fechei os olhos e deixei que o sol me renovasse a pele. Logo de imediato percebi que tinha de levar a família a almoçar a Matosinhos, à beira mar. Fiz as minhas compras, sempre deliciosas, e fui para casa preparar a minha filhota e sobrinho (que passou connosco este fim-de-semana) e fomos os 4 almoçar à praia. Enchemos a mala do carro com bola de futebol, trotinete e bicicleta e lá fomos nós.

Almoçamos o mais rápido que conseguimos, porque o que queríamos era mesmo ir passear. E lá fomos com as crianças, com a minha mãe e com os meus sogros que entretanto chegaram. Decidimos subir o parque da cidade e ir dar de comer aos patos. A Maria na bicicleta, o Afonso aos chutos à bola e eu carregadinha com os casacos de toda a gente, inclusive o do meu marido (vão já entender porque falo disto).

Passeamos bastante, fizemos quase o parque inteiro, demos de comer aos patos e já cansados resolvemos voltar. Neste momento, e para que as crianças não tivessem de fazer todo o percurso para trás, o meu marido disse que ía buscar o carro e que nos apanhava na saída mais a norte do parque. Devolvi-lhe o casaco e mudamos de direcções.

Neste preciso momento o Miguel chama-me e apercebe-se de que não tinha o telemóvel. O raciocínio imediato e intuitivo foi logo pegar no meu telemóvel e tentar ligar (errado!). Não estava efectivamente connosco. O meu sogro ainda começou a tentar fazer o percurso inverso. Mas hoje em dia, com iphones os processos são bem melhores. No meu iphone instalamos a app Encontrar o iPhone, que felizmente já tínhamos registado o iphone do Miguel na iCloud (façam-no!).

E o Miguel viu que o telemóvel estava na praia, ou seja, mesmo no início do parque da cidade. Ele foi a correr, com o meu telemóvel na mão, que estava já praticamente sem bateria (raios parta a bateria do iPhone).

Fiquei eu com as crianças, os meus sogros e as tralhas todas e… eu sem telemóvel.
A minha mãe ainda tentou acompanhar o Miguel, mas sem grandes hipóteses.

Nós começamos a voltar para trás, a voltar à praia. O meu sogro tentou ligar para o meu telemóvel para saber onde estava o Miguel. Mas o meu telemóvel já estava desligado. Bolas! Agora não sabíamos dele, eu nem sequer sabia onde o carro estava estacionado. As crianças estavam cheias de sede. Voltei ao restaurante, comprei duas garrafas de água. Confesso que nesta altura eu estava mesmo perdida, não sabia bem o que fazer. Tudo me passou pela cabeça; ele encontrou o telemóvel com alguém, alguém bateu nele. Ele caiu a correr e magoou-se… sei lá, parvoeiras da minha cabeça.

Pensei, vamos tentar ver onde está o carro. E disse aos meus sogros: “Se bem conheço o Miguel, ele ficou sem bateria no meu telemóvel, deve ter ido ao escritório buscar um cabo para o ligar ao carro. Mal chegamos ao local onde poderia estar estacionado o carro, ouvimos logo a buzina. Lá estava ele dentro do carro, saiu e gritou “João, o teu PIN???” Txiii pois é! O meu PIN é o original, nunca o mudei, decorei-o (vá lá!) mas como é óbvio ele não poderia saber qual era. Lá gritei os 4 números. Fomos ter com ele.

Ainda andamos para trás e para a frente com as crianças, com a minha mãe e os meus sogros. Quem estava com o telemóvel andava de um lado para o outro e nós não estávamos a perceber bem o comportamento da pessoa. O meu telemóvel não podia sair do carro, senão desligava-se logo. E nós quando víamos no GPS era sempre na estrada, mas na app estava mesmo quase no mar.

Decidimos pedir à minha mãe para levar as crianças para casa. Mandámos os meus sogros embora. E ficámos os dois, a tentar acalmarmo-nos e a tentar perceber como se fazia.

Ok. Agora vem a parte prática da coisa. A app está muito bem feita (aqui têm tudo explicado) e não precisam de sair para os mapas do google. Aqueles mapas estão óptimos e está perfeita a localização. Têm três opções na app, podem colocar o mapa como satélite e reconhecem melhor o local. Mal percam o telemóvel façam o seguinte: liguem a aplicação e dêem como perdido o telemóvel. Há logo esse botão na app. Quando o fizerem ele fica bloqueado por um PIN que vocês decidem e fica uma mensagem escrita no ecrã: “Telemóvel perdido, por favor contacte este número 9xxxxxxxx – decidem na altura o número que querem que apareça)”

Depois têm um outro botão para fazer com que o telemóvel reproduza um som (o som é completamente diferente de qualquer toque e mesmo com o telemóvel desligado ou sem som ele reproduz na mesma, só não é possível se o telemóvel não tiver bateria… felizmente não aconteceu isso).

Voltando à história, estávamos nós os dois dentro do carro. E percebemos que o telemóvel estava mesmo nas rochas, ao lado do mar. Eu disse: “Miguel, vais tu lá abaixo, eu fico aqui dentro do carro e vou fazendo tocar o som sem parar, assim se alguém o deixou lá por estar bloqueado, tu encontras!” E lá foi. E eu comecei a reproduzir o som. Neste preciso momento o telemóvel começou a deslocar-se. Bolas, ainda está com alguém! E começou a vir na minha direcção!! O meu coração começou a acelerar. Eu olhava a ver se era o Miguel que vinha com ele na mão, mas não era. E o telemóvel estava mesmo perto de mim… e eu sempre a fazer reproduzir o som. Nisto o Miguel aparece, eu grito-lhe pela janela: “Ele está por aqui!!!!”. O Miguel entrou a correr no carro. E ele estava uns metros à frente. Avançamos de carro, muito devagar e eu ía reproduzindo o som. A janela aberta e nós os 2 muito atentos.

Estamos a passar por um homem e o telemóvel “plimmmm, plimmmm, plimmm”. “MIGUEL!!! É ESTE!”.

O Miguel saiu do carro, pôs-se à frente do homem. (Juro-vos, o meu coração ía saindo pela boca, tanta coisa que podia acontecer com o enfrentar uma pessoa… fiquei com tanto medo). Virou-se para ele e disse: “Dê-me o meu telemóvel!”. O homem era um senhor já com 60 ou 70 anos, cheirava a álcool e muito mal, e devia ter um atraso qualquer. O homem diz: “Qual telemóvel?” Ehh pá, passei-me, pus a reproduzir o som outra vez e gritei da janela “Esse que está a tocar no seu bolso!” (E dentro da minha cabeça insultei-o de todos os nomes que devem imaginar!). O homem levou a mão ao bolso e diz: “Este?” O Miguel nessa altura tirou-lhe o telemóvel da mão. E disse, “Sim este mesmo, o MEU telemóvel.” A resposta do homem foi de rir: “Ah, ok. Pode ficar com ele.”
Ahhh… obrigadinha, seu *%65$$…

Uffa… temos o telemóvel. Foi umas das aventuras mais incríveis da minha vida. O confronto foi extremamente fácil, mas podia não ter sido. E pensei, eh pá, como é que há gente que não tem esta opção activada? Tinha mesmo de vos alertar para isto. Se tiverem iPhones activem esta opção, não pensem duas vezes. Não temos noção do que está no nosso telemóvel, é o nosso computador portátil. Temos informações demasiado valiosas para as perdermos. Para além do valor do próprio aparelho, claro.

Nos sistemas Android deve haver algo semelhante, não faço ideia, mas como não conheço não posso falar.

Hoje vamos voltar a usufruir do sol, mas desta vez vamos guardar bem os nossos pertences. 🙂
Bom domingo a todos.

{Clavel fora da cozinha e a melhor app do mundo} Comentários
  1. LOL, fiquei cansada com tanto stress… mas sim, este tipo de aplicações são mesmo muito práticas. Mas o que resulta melhor é guardar sempre bem as nossas coisas :p
    Bom domingo cheio de sol, por cá aproveita-se na varanda, a cultivar as novas sementeiras 🙂

  2. Que filme!!Quase que deu para ficar a arfar das tropelias todas e só de ler, imagino passar por elas…Ainda bem que o tal homenzinho se rendeu ás evidências e achou por bem entregar o telemóvel….
    acho que vou colocar essa App no meu….
    Bjoka
    Rita

  3. Caramba. Que aventura. Li-a como se lê um livro, à espera do fim. Vou mesmo contratar-te para tratares da minha vida pessoal e me tornares mais "operacional" no mundo moderno. Organiza-me, por favor.

  4. Olá Clavel,
    UFFFAAA que canseira…
    Bom, o importante é que tudo acabou em bem.
    A mim aconteceu-me uma semelhante há uns anos no CC Colombo. O meu marido foi experimentar uma roupa na Marlboro e esqueceu-se do telemóvel no vestiário e foi só o tempo de sairmos da loja e ele dar por falta dele e voltamos para trás. Claro que já lá não estava e a senhora da loja disse que quem tinha entrado naquele vestiário a seguir, foi um senhor, que estava com duas senhoras, mas não se demorou muito tempo. Claro que corremos para fora da loja a tentar identificar 3 pessoas, mais ou menos como tinham sido descritas e então, pusemo-nos a ligar do meu telemóvel para o dele e foi fácil. Aproximamo-nos de um fulano acompanhado de duas fulanas e ele levava um saco na mão. Liguei e claro, o telefone começou imediatamente a tocar. O Nuno aproximou-se e disse: Pode dar-me o meu telemóvel que está a tocar no seu saco? Bem, o fulano nem respondeu, nem reagiu, só corou e devolveu imediatamente o telefone.
    Claro que ainda hoje nos rimos imenso desse acontecimento e nós os dois temos essa app instalada nos iphones e a semana passada já deu jeito, porque ele estava na Índia em trabalho e um dia ligou-me via skype a dizer que não sabia se tinha deixado o iphone no escritório de Noida e eu liguei o "find my iphone" e lá estava ele (do Reino Unido encontrei-o na Índia – é o máximo)…
    Bom, claro que a app também tem as suas desvantagens e uma delas é, sempre que vou para as compras para Edimburgo e ele fica em casa com os miúdos, às vezes liga-me tipo: Quando é que voltas? E eu: Estou aqui na…, e ele: eu sei e há bocado estavas na Rose Street…
    Bem…, estás a ver a desvantagem não é??:)))…
    Beijinhos e continuação de bom Domingo, que espero tenha sido bem mais calmo.
    Lia.

  5. Li a tua história com o mesmo entusiasmo que quem vê um filme de suspense! Muito bem escrito. Também tenho essa app, felizmente nunca precisei mas assim que li isto fui logo verificar onde andava o meu iPad! 🙂 beijinho!

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