A corrida contra o tempo {Tarte de cenouras em flor}

O tempo que vai escorrendo por entre os dedos.
O tempo que nos foge sem pedir licença.
O tempo que nos escapa e nem notamos.
O tempo que nos faz falta. Que nos envelhece e transforma.

De repente damos por nós a perceber que já se passou uma hora, um dia, uma semana, um mês, um ano, 5 anos… uma década!

Isto é uma realidade e, conforme vamos avançando na idade, a percepção da velocidade do tempo é cada vez maior. E começamos a ficar assustados. Pelo menos eu fico. Este meu último ano passou a correr. De repente dei por mim com 34 anos, com a sensação que tinha acabado de fazer os 33, e a repensar o quanto a minha vida mudou radicalmente. Que tenho uma bebé que já tem mais de um ano e que ainda “ontem” tinha nascido. Que a Maria já sabe ler e que ainda “ontem” eu tinha de lhe mudar a fralda. E que de repente eu tenho uma empresa montada, um negócio a andar, deixei a escola e tudo isto assim, “de repente”. Depois analiso melhor e não foi assim de repente. Passou-se muita coisa, muitas decisões, muitas frustrações, muitas alegrias, muitas conquistas, muitas cabeçadas na parede…

Mas… há algo que me assusta, apavora, até. É pensar se eu terei aproveitado o tempo com as minhas filhas, com o meu marido, com a minha família. O fim desta história todos nós o conhecemos, todos nós sabemos qual é final de todas as nossas histórias, do filme da nossa vida. Na vida real o fim é sempre o mesmo, mas nós temos nas nossas mãos fazer do entretanto, do momento da nossa vida, o melhor que conseguirmos. E é aqui, agora, neste momento, que dou por mim a aperceber-me que tenho de viver a melhor vida possível. Que não posso ter medo de ser feliz, de arriscar, de lutar por aquilo que quero. Então, dou por mim a conseguir fazer escolhas mais facilmente. Perceber quais são as minhas prioridades:

• Família acima de tudo e todos, nunca abdicar do tempo para as pessoas que mais amo no mundo;
• Trabalho. Fazer o que mais gosto é um privilégio, aproveitar tudo o que me surgir, procurar desafios, agarrar oportunidades e dar-me permissão para errar [muito!].
• Organizar e promover muitos encontros entre amigos e família.
• Viajar. Aproveitar o máximo de oportunidades e viajar muito com o meu marido e as minhas filhas. Conhecer Portugal e o mundo. A melhor forma de aprender e viver o momento com a família.

Viver… viver intensamente.
E mesmo que a sensação da velocidade do tempo piore cada vez mais, olhar para trás e perceber que o construo são recordações, muitas emoções, muitos ensinamentos e, fundamentalmente, muito tempo de qualidade com os meus.

Por isso, isto para ti, nunca abdiques do tempo que tens para aquilo e aqueles que mais gostas. O tempo não volta atrás, e o momento de criar boas recordações e de construíres uma vida feliz é agora, não é amanhã.

Este texto tem uma receita que obriga a algum tempo. Porque na vida tudo aquilo que é lindo e bom obriga a dedicação e carinho. Esta tarte deliciosa requer isso mesmo, mas compensa largamente.
Um bouquet de flores de cenoura para as minhas filhas. Foi um sucesso!

Tarte de cenouras em flor

Ingredientes:

1 massa folhada
5 cenouras (usei coloridas – preta, roxa, laranja, amarela e branca)*
60g de queijo mozarrela ralado
Sal q.b.
Pimenta preta moída na hora q.b.

Ingredientes maionese:

1 ovo
Azeite virgem
1 pitada de sal
1/2 dente de alho
Mostarda dijon com grão
1 c. de sopa de coentros picados frescos
1c. de chá de vinagre balsâmico

Preparação:
Pré-aqueça o forno a 180ºC
Coloque a massa folhada na tarteira e cubra a base com papel vegetal e distribua feijões secos (para fazer peso, para que a massa não levante no centro). Leve ao forno até alourar e folhar.
Faça a maionese:

Num copo da varinha mágica coloque o ovo inteiro. Coloque todos os ingredientes excepto o vinagre e o azeite. Coloque o pé da varinha mágica dentro do copo e coloque o azeite, até que o mesmo cubra a parte inferior toda (a parte mais larga do pé). Ligue a varinha mágica mas não mexa nela, deixe que os ingredientes se misturem debaixo para cima. Quando a maionese estiver misturada, então aí comece a levantar devagarinho a varinha mágica (tenho de fazer um vídeo explicativo, um dia destes!). Vai reparar que fica super cremosa. No final acrescente o vinagre e volte a colocar a varinha mágica durante uns segundos.

Retire a massa do forno e remova os feijões e o papel vegetal.
Recheie com a maionese e o queijo ralado.
Descasque as cenouras e com a ajuda do descascador corte fatias muito finas das mesmas. Separe as cenouras por cores e faça rolinhos com cada cor. Distribua os rolinhos pela tarte já recheada com a maionese e o queijo. Pincele os rolinhos com azeite e tempere com um pouco de sal e pimenta preta moída na hora.
Leve ao forno até as cenouras ficarem alouradas e o queijo estar derretido.

* Comprei as cenouras coloridas na Makro. Poderá substituir as cenouras por courgette, beterraba, beringela, conseguindo assim uma variedade de cores semelhante. 🙂

A corrida contra o tempo {Tarte de cenouras em flor} Comentários
  1. Que lindo Clavel…é assim…quando a gente vê já passou…e não há como recuperar o tempo que se perdeu… bora tentar curtir o melhor que temos: família, amigos e pessoas que fazem a nossa vida mais feliz! Beijo grande! Sucesso! Amei o post!

  2. Que tarte absolutamente linda Mª João!! E o textooo… como te compreendo minha linda! Tem de ser hoje e agora, certo? Tem mesmo… cada dia que passo sinto mais isso.
    Um doce e enorme beijinho!!

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