A mulher da minha vida e as melhores rabanadas

Hoje trago-vos, talvez, o post mais pessoal até agora. O mais intenso e mais emocionante para mim. Não é todos os dias que vos posso apresentar alguém tão especial para mim. Já vos apresentei a Avó Lurdes e os seus maravilhosos sonhos, mas hoje apresento-vos a pessoa que me trouxe ao mundo, a mulher da minha vida. Minha amiga, confidente, companheira… a minha Mãe, a Zelia Clavel!

Quem é a minha mãe? Pergunta difícil de responder sem ficar logo com pele de galinha de tanta emoção que me assola quando vos tento transmitir a fantástica pessoa que ela é. É das pessoas mais incríveis que conheço, talvez a mais generosa, se um dia for metade mãe do que ela é, serei uma excelente mãe. Sim, é verdadeira melhor mãe do mundo. Ok, sou suspeita, sou filha dela. Mas é verdadeiro este meu sentimento. Se tem defeitos? Ui imensos, mas isso ainda a torna mais especial. Acho que o maior defeito dela é não saber dizer Não! “Mãe, podes ficar hoje com a Maria?” “Posso, filha, claro!” “Zelia, podes ir hoje comigo ao médico?” (pergunta um amigo) “Posso querido, claro!” Hummm…. era à mesma hora, e agora? Lá está, não sabe dizer que não, porque no coração dela cabem todos, o problema é quando falamos em horas físicas… eheheh
A minha mãe foi professora. Tantos alunos que ela teve e todos gostavam dela. Muitos deles chamavam-na de segunda mãe. Confesso-vos, eu não gostava nada disso. Ficava totalmente enciumada. Mas quando se tem uma mãe especial temos que aprender a partilhá-la. Todos os dias aprendo com ela. Todos os dias tento chegar-lhe aos calcanhares. É mesmo uma pessoa verdadeiramente grande, com um coração enorme. Perguntem a quem quer que seja que a conheça, dir-lhes-ão o mesmo.
E foi esta pessoa tão especial que me trouxe ao mundo, que sorte tenho, hã? E foi esta pessoa que me educou e me transformou numa pessoa pensante e a tentar ser alguém na vida capaz de ajudar outras pessoas e trazer algo de positivo a este mundo. E, para além disso, foi a minha mãe que me ensinou a cozinhar. A minha mãe cozinha maravilhosamente bem, essencialmente, a cozinha tradicional portuguesa. E quando vivemos em Trás-os-Montes, na vila de S. Martinho de Anta e vivíamos numa quinta, com uma cozinha de pedra com mais de 100 anos, com lareira, potes de 3 pernas, frigideiras de ferro, vocês não imaginam o sabor da comida. A minha mãe, que sempre foi uma mulher da cidade, adaptou-se na íntegra ao espírito do campo. Havia a matança do porco e ela fazia uma alheiras com as senhoras da aldeia… hummmmm…. não vos passa pela cabeça. Eram alheiras, chouriços, presunto, chouriças de banha que eram colocadas num pote em azeite durante semanas. Sempre que fazia uma sopa cortava uma fatia dessa chouriça e era uma explosão de sabores. Para além disso tínhamos uma horta (e que pena tenho de não vos conseguir mostrar um vídeo em que estamos todos na horta… um dia hei-de conseguir recuperar essas pérolas). Era uma horta gigante, que ela cuidava como ninguém. Tínhamos tomates, pimentos, hortaliças, couves, espinafres, uma cerejeira, uma nogueira, oliveiras, maceiras, loureiros… enfim… tanta coisa. Eu era uma criança de 10 anos, há pormenores que me escapam, mas apesar de preferir viver aqui na cidade, esses 4 anos tiveram muita importância na minha formação pessoal. 
Mas hoje trago-vos as rabanadas da minha mãe. Para mim são as melhores do mundo. Claro que neste tipo de receitas cada um de nós tem preferências diferentes, porque nos transporta para a nossa infância e se tiverem a sorte que eu tive, de ter uma infância feliz, estes sabores transportar-vos-ão para esses momentos. Que vos posso dizer mais? Experimentem esta receita e depois digam-me, são ou não as melhores rabanadas?
Rabanadas
Ingredientes (faz cerca de 25):
1 cacete (usamos os fininhos, para ficarem mais pequeninas)
1L de leite meio gordo
6 ovos
Casca de 1 limão
4 paus de canela
950g de açúcar
500g de água
2c. de sopa de canela em pó
Preparação:
Parta o cacete em fatias de 1cm de espessura.
Coloque no fogo um tachinho com 500ml de leite a meio gás, 100g de açúcar, coloque 2 paus de canela e 2 tiras largas de casca de limão. Num prato fundo coloque os ovos batidos. Noutro prato coloque 250g de açúcar com a canela em pó e misture com o garfo.
Numa frigideria, cubra o fundo da mesma com óleo limpo até 1cm de altura (mais ou menos), aqueça-o bem, mas mantenha o lume médio, para que o óleo não queime. Passe as fatias de pão no leite, com a ajuda de uma escumadeira escorra o leite em excesso, passe a fatia pelo ovo batido e leve a fritar no óleo. Quando a fatia estiver bem dourada, retire-a da frigideira e escoe um pouco com uma escumadeira. Coloque no açúcar com a canela e pane-as. Com a ajuda das mãos sacuda o açúcar em excesso e coloque numa taça. Repita todo este processo para todas as fatias de pão. 
Para a calda:
Noutro tachinho à parte prepare a calda, coloque 500g de açúcar, 500ml de água, 2 paus de canela e 2 cascas de limão. Deixe levantar fervura, diminua a temperatura para média e deixe engrossar um pouco, até ponto de fio.
No final coloque a calda por cima das rabanadas. Sirva-as quentes ou frias. Com um chá é o melhor lanche de natal de sempre!
E sabem uma coisa? Ela é uma artista, escreve tão bem… e pelos poemas dela conseguirão “conhecê-la” ainda melhor. Vejam AQUI.
A mulher da minha vida e as melhores rabanadas Comentários
  1. Cara de mãe e avó maravilhosa, talentosa e agora menina Maria João, já sei de quem herdaste também a generosidade e a beleza não só exterior mas falo da mais importante a que embeleza o nosso interior e que cativa toda a gente. Obrigada pela partilha, pela receita, pelo post, por tudo….

    Beijinho e BOAS FESTAS!

  2. Claro que basta serem de uma mãe para serem logo as melhores e ainda mais de uma mãe TÃO especial.
    Lamento ainda não ter conseguido postar nada feito pela minha mãe ou pai. Apesar serem igualmente ESPECIAIS, vivo longe deles, o que me faz amá-los mais e sentir uma infinitas saudades. Mas vou fazê-lo, prometo. O meu pai é o sr. cocabichinhos da cozinha 🙂
    Até lá João, "amassa" MUITO a tua mãe de beijos e abraços, FAZ MUITA FALTA! (Snif)
    Beijos

  3. Oh querida, ate me emocionaste com este post tão lindo e esta homenagem tão linda à tua mãe. Acho as mães pérolas de preciosidade e qualquer homenagem a elas feita, toca-me sempre muito e comovo-me de verdade, especialmente homenagens destas, verdadeiras e sentidas.
    És uma pessoa linda Ma João, posso assegurá-lo, só pelo que de ti leio e a tua mãe deve ter muito orgulho em ti e claro que hás-de ser tão mãe como a tua mãe o é, pois pelo que descreves, tens todas as bases para o ser.
    Potes de 3 pernas? claro que sei o que são, pois eram os que existiam no fogo aberto que a minha avó tinha na cozinha dela lá no Norte e não há comida com o sabor da que é cozinhada nos potes de ferro de 3 pernas, isso posso garantir!!
    Adoro rabanadas e vou, com certeza, experimentar estas da tua linda e doce mãe!
    Beijinhos grandes e boas festas,
    Lia.

  4. começando pela receita, as rabanadas da tua mãe são tãããão parecidas às da minha mãe! a receita é mesmo quase igual hehehe por isso sei o quanto são maravilhosas 🙂 quanto à tua mãe ser especial não tenho a menor dúvida. Tu és muito especial, tens a quem sair 🙂 mas quanto à melhor mãe do Mundo, desculpa mas é a minha hehe e é bom sinal quando consideramos a nossa mãe a melhor do Mundo 🙂
    um beijo enorme e um óptimo Natal para ti e para a tua família linda***

    1. Ehehehehhehheh
      Claro, a minha é a melhor de todas, porque é a minha. E realmente é óptimo poder dizer isso, sentirmo-nos abençoadas assim. E nós as duas sabemos tão bem o valor que isso tem, não é?
      Obrigada minha linda, um excelente natal para ti!

  5. Adorei o post, tão sentido a puxar ao sentimento, tão especial, ainda mais por ser Natal. A tua infância deve ter sido especial e cheia de experiências fantásticas. As rabanadas devem ser deliciosas. Feliz Natal e tudo de bom! 🙂

  6. é uma grande emoção este retrato lindo da Bá. felizmente ja tive o prazer de abraçar e conhecer e está de parabens pela pessoa que é e pelo trabalho fabuloso que fez e continua a fazer.
    Infelizmente não posso dizer que sei do que falas mas tive uma avo materna que foi uma grande avo e mãe para mim-
    Tambem para mim, tanto a minha mae como a minha avo, foram as melhores cozinheiras que conheci até hoje. Até parece que ainda sinto o sabor das maravilhas que faziam 🙂
    Obrigada por mais um post magnifico.
    Adoro-vos!!!!

    1. Uma avó assim vale por tudo. E a Bá ficou muito feliz com este teu comentário, vi-o no telemóvel e estava ao lado dela. Ela ficou comovida. Nós também te adoramos muito. Queria-te aqui, perto de mim, adorava poder passar o Natal contigo! Beijinhos enormes

  7. Maria João, adorei este post! Talvez por ser mais pessoal e dares a conhecer mais um pouco de ti, mas principalmente porque me fizeste recordar da minha mãe que infelizmente já partiu, mas também adorava o Natal e não fazia rabanadas, mas fazia outras iguarias bem deliciosas.
    Não há nada como o amor de mãe, e a tua mãe é linda e de certeza que vocês se merecem uma à outra.
    As rabanadas são lindas e dava tudo para poder provar uma agora mesamo.
    Beijinho e votos de um Feliz Natal, para ti, para a Mãe Zélia e restante família. 😉

    1. Célio, um beijo enorme. Que esta lembrança seja para recordar os momentos felizes. "Perder" alguém que se ama é sempre doloroso, mas recordá-la é mantê-la viva em nós. Espero ter conseguido um bocadinho disso em ti! Um beijo enorme e obrigada pelo teu comentário.
      Um feliz Natal!

  8. A genética é fenomenal! Já tive o prazer de confirmar que são verdade todas essas palavras! E mais, parece-me que tem um enorme sentido de humor, am I rigth?
    Um muito Feliz Natal para todos!
    Mil beijos e um muito repenicado para a Maria!

    1. Oh querida amiga, tens de a conhecer melhor. Sentido de humor é o que não lhe falta. A eterna criança (como diz um primo meu). Ainda hoje fomos ao supermercado e ela em todos os corredores que eu parava para escolher os produtos, punha-se a dançar com a Maria, ou a correr, ou a cantar! Enfim… a verdadeira criança nesta família foi e sempre será a Bá (como carinhosamente os netos a chamam).
      Beijinhos enormes para ti e para a tua família linda. Um especial também para o Afonso.

  9. Que mãe bonita, é um prazer conhecer a Dª Zélia, ainda que virtualmente. Gostei deste post pessoal, faz-me gostar ainda mais de ti. E nós andamos sintonizadas: trufas, rabanadas, o que se seguirá?
    Desejo um feliz Natal a toda a família, com muita saúde, amor, carinho e bons petiscos. Porque a felicidade é feita destas coisas simples 🙂

  10. Olha olha a minha poetisa preferida 🙂 Foi por pouco que não conheci a tua mãe ao mesmo tempo que a ti, já viste? Adorei este teu post cheio de sentimento aposto que ela adorou. Repito aqui o que disse às duas meninas, que 2014 te traga tudo de bom porque 2013 a mim já me deu grandes momentos ao teu lado! Obrigada pela companhia e por estares sempre aqui! beijos

  11. E tu tens a quem sair!! 🙂 São ambas muito especiais.
    Adorei o teu post, acho lindo falar assim de quem amamos e nos orgulhamos.
    Ternura e doçura e rabanadas à mistura, parece-me mesmo bem neste natal.
    Adoro as fotos. Feliz natal, sejam felizes!
    Um beijinho.

  12. Parabéns, que lindo presente de natal ofereceste à tua mãe!
    As fotos estão muito, muito bonitas. Vou mostrar à minha tia o teu post 🙂
    Aproveito para desejar à ti e à tua mãe um Natal muito feliz e um 2014 cheio de bons momentos em família e outras coisas boas.
    Beijos
    Teresa

  13. Não experimentei estas rabanadas, mas vou fazê-lo longe do Natal quando terão muito melhor sabor. O que saboreei já, agora, mais e melhor foi o retrato da mãe pela filha: esse é excelente e admirável. Não são sempre complexas e difíceis essas relações? Apraz saber que não e felicito mãe e filha por tal. E já agora devo dizer que a mãe que conheci há pouco é muito mais interessante do que esta fotografia deixa supor. Parabéns.

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