Carta aberta às minhas filhas {e uma promessa}

Fotografia by Brígida Brito
Maria e Margarida,

Hoje celebra-se o dia da mãe, mas dia da mãe é sempre (desde que vocês apareceram na minha vida). Se há coisa de que me orgulho diariamente; me enche o corpo, a alma e o coração, é o facto de ter duas filhas como vocês. E, quis o universo, o karma, o destino ou Deus que eu tivesse duas filhas meninas, que um dia, possivelmente, também serão mães.

Não sei se me sinto capaz de vos ajudar ou aconselhar a serem mães (quem sou eu?!). Mas de uma coisa tenho a certeza, o meu modelo de mãe é tão grandioso que não tenho sequer hipóteses de conseguir sentir-me equiparada a ela. Sim, estou a falar-vos da Bá (ou da Bázinha, como tu dizes, Margarida!). Sei, também, que o facto de ter uma mãe como a Bá ajuda-me a conseguir ser o melhor todos os dias.

O meu feitio, as minhas ambições e a minha força de vontade fazem com que me meta em mil projectos e, muitas das vezes, tenho muito medo de falhar convosco. Não sou a mãe perfeita, mas tenho aprendido ao longo dos anos que tenho de relativizar e não quero, nem devo, procurar a perfeição. Em primeiro lugar porque ela não existe e em segundo lugar porque não precisamos de ser perfeitas para mostrar amor.

Maria e Margarida, vocês são duas meninas cheias de vida, têm uma luz tão especial, são tão incríveis que até me dói o peito de tanto amor que sinto por vocês. Já me diziam isso, antes de ser mãe, que era um amor que às vezes até dói. E é mesmo verdade. É uma dor boa, mas ao mesmo tempo o medo de que algo vos aconteça faz com que seja tão doloroso.

Há dias em que sinto que o tempo passou a correr, que não tive tempo para fazer uma actividade lúdica convosco, porque a roupa acumulou, porque o jantar atrasou, porque o cliente ligou já muito tarde e eu atrasei no escritório, porque ainda não tinham tomado banho, ou porque hoje era dia ballet e o tempo foi passando e chegam as horas de ir para a cama, olho para trás e não houve um momento em família como nós gostamos. E, por isso, hoje, dia da mãe, decidi escrever esta carta, fazendo-a em tom de promessa. Mesmo passando os dias atolada de trabalho e cheia de tarefas domésticas, e à noite tu Margarida não me deixares dormir, mesmo assim, terei sempre 10 minutos no mínimo para vos ouvir, a cada uma, e podemos fazer o que vocês quiserem. Durante 20 minutos (no mínimo!!!) sou só vossa. Sem computadores, telemóveis, jantares, roupas, etc!

A minha mãe ensinou-me: o que falas, leva o vento as palavras, o que escreves fica gravado para sempre. Escrevo, aqui, publicamente esta promessa, para que fique gravado como se fosse em pedra.

Com muito amor,
Mamã 

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