Dia Nacional do Pijama e umas considerações pessoais (sem receitas!)

Hoje é o Dia Nacional do Pijama. O Dia Nacional do Pijama é um dia solidário feito por crianças que ajudam outras crianças.
Neste dia, as crianças até aos 6 anos, nas escolas e instituições participantes, de todo o país, vêm vestidas de pijama para a escola e passam, assim, o dia, em actividades divertidas, até regressarem a casa.
O Dia Nacional do Pijama realiza-se a 20 de Novembro de cada ano.
Este é um dia em que as crianças pequenas lembram, anualmente, a todos que uma criança deve crescer numa família.
O Dia Nacional de Pijama é uma iniciativa e marca registada da Mundos de Vida.

Neste dia, após algumas conversas com minhas amigas veio à baila problemas comportamentais dos nossos filhos. Como devemos agir? O que devemos fazer perante uma birra? Então lembrei-me, hoje mais do que nunca é importante a reflexão de viver em família e ter uma família implica regras e sacrifícios… muitos!
Para ajudar uma amiga que está com problemas com os maus comportamentos do seu filhote, estive a ler alguns artigos e cheguei à conclusão que o que nós os pais devemos fazer quando sentimos não “ter mão” no nosso filho é seguir alguns passos que poderão ajudar-nos. Sem querer parecer ser convencida, acho que por intuição, faço muitas destas coisas com a Maria e tenho tido excelente resposta.

Então o que os artigos sugerem é mais ou menos isto:
1. Recompensar o bom-comportamento.
Quando se fala em recompensar o bom-comportamento não encher a criança de doces e coisas que lhes fazem mal ou que normalmente nós dizemos que “é só hoje!”. Recompensar a criança pode ser através de muitas coisas: ir ao parque, andar de bicicleta, fazer um desenho, fazer alguma actividade que sabemos que o nosso filho adora fazer. Poderá ser algo bem mais simples. Poderá ser, somente, um abraço, um beijo, um elogio… Algo que faça crescer a sua auto-estima. Digo muitas vezes à minha filha o quanto a amo, o quanto ela me faz feliz e completa. Noto, às vezes, que alguns pais não o dizem muito frequentemente, pois acham que eles ainda não entendem. Mas eles entendem, oh se entendem! O amor é a linguagem universal e há muitos estudos que defendem que todos os dias deveremos sussurrar ao ouvido do nosso filho enquanto ele dorme o quanto o amamos. 
É muito importante para a criança que a recompensa seja imediata e a maior recompensa é estarmos ao lado deles e os valorizarmos.
2. Não recompensar acidentalmente o mau comportamento
Temos de evitar ao máximo recompensar, acidentalmente, o mau comportamento. Como é lógico fortalece o mau comportamento. Por mais que nos leve à loucura, ou porque temos horários a cumprir, não podemos (mesmo!) recompensar o mau comportamento. Para dar um exemplo de quando isso acontece: quando a criança começa a choramingar para chamar a nossa atenção e nós damos atenção, nem que seja para “ralhar” com ela actuará como recompensa o mau comportamento de choramingar. Muitas vezes comentemos esse erro, especialmente quando estamos preocupados com outra actividade, tal como quando a fazer o jantar, falar ao telefone ou ter um longo dia.
3. Punir alguns maus comportamentos com castigos leves.
Exemplos:
Tempo de espera – o tempo de espera é um castigo leve muito eficaz. Significa suspender, literalmente, por um determinado tempo tudo aquilo que agrade à criança: nomeadamente recompensas, atenção dos pais, brinquedos, música, filmes e todas as actividades de que ele gosta. O objectivo imediato é parar o problema comportamental o mais rápido possível e o objectivo a longo prazo é ajudar a criança a aprender a auto-disciplina (isto acontece frequentemente nos infantários, porque é que eles lá são sempre muito mais obedientes e muito mais correctos? Porque existem regras e muita disciplina e eles sabem que têm de as cumprir para não sofrer consequências.) O bom da espera é que não afecta emocionalmente a criança e modela a calma e o bom comportamento da parte dos pais. O tempo de espera não funciona se a criança começar um comportamento de raiva, mas para as pequenas birras funciona lindamente.
Agora exemplos (meus, que só posso falar dos meus, pois não sou nenhuma psicóloga e não tenho grande conhecimento acerca desta matéria. Como já referi tudo isto é por intuição, acabo por ler alguns artigos que reforçam esta minha experiência e, que felizmente, tem funcionado muito bem com a Maria. Ainda tenho muito que fazer, todos os dias faço, há dias que também desespero. É uma criança, como todas as outras, testa os meus limites diariamente, mas quem disse que ser mãe/educadora é fácil?)
Maria 18 meses (1º mau comportamento a valer):
Foi à cozinha, abriu a gaveta dos talheres e pegou neles e deitou-os todos para o chão. Ralhei com ela, e disse que ela tinha de apanhar todos os talheres. Bateu com o pé no chão e disse: “Não!”. Dei-lhe uma palmada no rabo e voltei a insistir com ela que ela teria de arrumar tudo aquilo que desarrumou. Voltou a dizer que não. Peguei nela por uma mão e fechei-a no quarto dela (não estava às escuras, mas fechei-a). Ela gritou, berrou e eu do outro lado da porta chorava também (não penses que esta minha atitude foi fácil, fácil era eu arrumar o que ela tinha desarrumado). Esteve fechada lá por 20 segundos (mais ou menos) que pareceram 5 ou 10 minutos para mim, para ela deve ter parecido bem mais. Abri a porta, acalmei-a e disse que ela não podia voltar a fazer isto. Sim, conversei com ela, eles entendem bem mais do que pensamos. E disse-lhe: Queres voltar par adentro do quarto? Então toca a ir arrumar os talheres. Fui com ela para a cozinha e ela apanhou um a um, enquanto chorava… Eu estive sempre do lado dela, mas não arrumei um único talher. Demoramos mais de 30 minutos até que ela terminasse a tarefa. (Eu estava a fazer o jantar, tive de desligar o fogão, mas não desisti!) Acabou a tarefa, peguei nela ao colo e disse que agora ela era linda. dei-lhe um abraço e disse que ela podia ir brincar. Acabou assim a birra nesse dia e acredito que foi essencial, pois começou a perceber que eu sou dura, que não cedo facilmente.
Hoje em dia é muito raro a Maria ter atitudes de me levar à loucura, mas eu sou sempre muito dura com ela. Castigo-a. Se ela não quer comer até ao fim sabe que fica sem comer MAIS NADA. Se desata aos gritos ou a chorar compulsivamente porque quer alguma coisa, já sabe que assim não terá a coisa durante muito tempo. Já esteve sem comer gelados durante 1 mês, pois pediu um gelado e deu-lhe 3 lambidelas e não quis mais. Eu não gritei com ela, nem bati, nem nada desse género. Disse-lhe calmamente que era uma opção que ela estava a tomar, se ela não comesse o gelado que nunca mais comia nenhum gelado. E assim foi, sempre que me pedia um gelado eu dizia-lhe: “Não! Sabes porquê, não sabes?” e ela dizia: “Sim, porque eu não comi!” E nem chorava, nem nada. As pessoas ao lado recriminavam-me, acharam que eu estava a ser muito dura. Eu continuo a achar que foi o melhor que fiz. Ela sabe que comigo tem consequências em relação ao mau comportamento, como também sabe que eu valorizo imenso o bom comportamento. (Ela voltou a comer gelados quando a minha sogra lhe deu um sem saber que ela não podia comer)
Há muito mais a escrever, mas acho que já estou a soar a “sabe tudo”. 
Decidi partilhar este “artigo” porque sei que a maioria dos meus leitores ou leitoras são mães ou pais. Ter uma família é muito importante e saber agir em família é fundamental. Sei que este artigo foge aos meus correntes posts acerca de culinária, mas a vida é assim, feita de momentos e vontades. Hoje a vontade foi esta. Partilhar um pouco mais de mim e da minha família que tanto amo.

Hoje o dia nacional do pijama aqui em casa foi assim, cheio de reflexões e mais uma vez uma reafirmação de que tenho mesmo muita sorte.

Dia Nacional do Pijama e umas considerações pessoais (sem receitas!) Comentários
  1. Por acaso vi na televisão e achei muito giro as crianças irem para a escola de pijama.
    Tive sorte com o meu filho pois foi sempre uma criança calma claro que teve as suas birras ,mas se tivermos mão neles eles não fazem o querem.
    Bj

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